Um Livro Aberto...

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Terra Blog

30.06.08

Detalhes Que Passam

Acho que não mencionei algumas coisas... Por exemplo, que com 14 anos aprendi com Rodrigo Bortolanza, na antiga Escola de Música Viena, a tocar violão. Demorei 2 meses pra conseguir trocar de nota sem parar o ritmo e depois de muita pressão consegui tirar de ouvido a música Estoy Aquí da Shakira... Carreguei o nome da cantora como apelido por uns dois anos... Isso seria bom ou ruim? Que seja... Eu falei "sob pressão" porque eu não parecia muito dedicada nesse aprendizado. Mas eu queria aprender. Tipo, de uma forma simples, por exemplo, dormindo, sabe? Tive uma bandinha que se apresentou algumas vezes... Até minha irmã tocava teclado nela... Cantávamos Elis Regina, Shakira, Pato Fu, Cássia Eller... Essa mistureba toda... Vai entender... Era uma época em que eu só usava pantalonas... Um óculos horrível e bla bla bla... Como eu tinha coragem de ser tão brega? Ah, era isso...

12.06.08

Fora de Controle

Um certo dia estava eu a ouvir uma briga dos meus pais. E interferi ficando ao lado da minha mãe. Diga-se de passagem que era uma briga verbal, uma discussão de opiniões, coisas que todo casal vive. Eu tinha lá pelos meus 15 ou 16 anos... Respondi pro meu pai. O ofendi com vontade... Ele me incomodava... Eu não concordava com nada e não queria entender. Eu não queria aprender nem com os erros dele. Eu simplesmente cometia novos erros sem perceber. Ele me ofereceu a chance de ficar calada, caso contrário ele abandonaria qualquer negociação e pegaria a cinta. Eu disse: "Pois pegue!" Continuei a lavar meus tênis. Ele veio em minha direção e só vi uma coisa: um rodo. Segurei com as duas mãos e empurrei meu pai contra a parede... E disse entre os dentes que ninguém iria me bater. Ele me olhou cheio de raiva e saiu em direção ao telefone. Ligou ao Conselho Tutelar. Tive que conversar com uma assistente social. Eu expliquei que jamais pensei em agredir alguém, só quis me defender... Meu pai depois entrou na sala e ouviu dela que violência gera violência... Ou uma defesa violenta... Eu não queria ter passado por cima da autoridade dele... Eu acho... Mas eu não queria sentir dor, simplesmente. É estranho lembrar disso, parece que foi em outra vida...

03.06.08

O Que As Pessoas Não Sabiam

No meu segundo ano, longe do meu colete, do aparelho dentário, dos meus óculos, da minha franja fora de moda, lá estava eu, ainda com os mesmos complexos, a mesma simpatia tímida e a impossibilidade de responder qualquer insulto. Fechada. Eu sorria. Por fora. Apenas por fora. Conheci a Karina. Ela sentava quase grudada no quadro negro. Milhões de graus de miopia!!! E quando sua vista cansava muito, eu copiava a matéria pra ela. Eu gostava de deslizar a caneta pelo papel, não era então, nenhum esforço pra mim. Ela era como eu, tímida e sorridente. Pronto. Não sentíamos necessidade de agradar aos outros nem de nos misturarmos à galera do fundão... Ou à galera popular, como costumam dizer. Brincavam de nos comparar a Clara e Rafaela, da novela Mulheres Apaixonadas. Não lembro direito, mas lembro que um garoto que Karina estava a fim chegou a brincar também... Foi por isso que pedi que parassem. Eu simplesmente não me importava... Mas ela , sim, mesmo que fosse pouco... Eu não era lésbica. E se fosse? Foi aí que percebi que se quando eu estava em casa, eu vivia trancada isolada no meu quarto, com portas e janelas fechadas (às vezes, até com luzes apagadas e som alto), e só saía se fosse pra visitar a minha amiga pra comer brigadeiro, estudar e falar bobeira... Com certeza não era por causa dos outros. Era por minha causa. Eu não me encaixava em quase nada do que acontecia à minha volta. Meu mundinho era mais fácil, com vilões em corpos sensuais... Princesas que não eram delicadas e usavam espadas... Os vilões venciam, muitas vezes... Mas muitos dos personagens eram imortais ou quase incombatíveis. Eles surgiam do nada nas minhas histórias... Minhas histórias imaginárias não tinham fim. Enquanto minha vida era apenas uma pausa. Até meus amores eram platônicos. Era mais fácil vivê-los apenas na minha mente...

28.05.08

Uma Beatlemaníaca

Talvez o post de hoje seja bem curto... Mas muito importante. Desde criança, ouço os LP's dos Beatles com meu pai... Lucy in the sky with diamonds me fazem sempre lembrar de minha irmã... Lembrem que o nome dela é Luciane... Eu amei tanto os Beatles que não sabia qual deles era meu favorito... Bem, tenho que reconhecer que meu favorito é John Lennon! Quantas vezes me vi defendendo as idéias de paz dele? Às vezes acho que esse meu envolvimento com o sofrimento da humanidade vem desde que me conheço por gente, por ter esse cara como influência... Cheguei a me apaixonar por um colega de classe da minha irmã, porque ele tinha cantando Twist and Shout na escola... Hum, detalhe, ele gostava da minha irmã! Essa última parte é ponte para o próximo post!

16.05.08

Vozes

Isso é algo que me deixa até sem jeito... Vai saber como as pessoas conhecidas irão me ver quando se encontrarem comigo, caso elas leiam meus relatos? Mas vamos lá! Desde criança eu tinha meus amigos imaginários... Imaginários pra quem me via falando sozinha... Mas lembro deles, e sabe quando você tem certeza que não era loucura? Muitas das pessoas com quem eu conversava e ninguém via pareciam debochadas... Sarcásticas... Outras eram assustadoras, pareciam com medo e me deixavam com mais medo ainda... Eu as via... Com o passar do tempo, só ouvia... Até cheguei a sentir cabelos e pele... Isso ainda acontece, mas com pouca frequência... Desisti de procurar entender isso... Já me acostumei... Já ouvi tudo quanto era coisa sobre isso... que era coisa do demônio... Coisa de Deus... Mediunidade... Só sei que tudo isso é um porre... Simplesmente acontece... Precisei falar disso... Agora, com licença, até a próxima sessão!